Poucos livros me encantaram com seu mundo fantástico tão peculiar como o de “Suantiário dos ventos” e irei dizer a vocês o porquê. Muitos conhecem “Game of thrones” de George R.R. Martin (sim, eu sei que o nome da série de livros é “As crônicas de gelo e fogo”, mas já cansei de chamá-la assim entre meus grupos de amigos e ser respondido com “Não conheço...” e ai precisar falar “Game of thrones” para ser entendido), entretanto, não se fala tanto assim de “Santuário dos ventos” obra desso autor em parceria com Lisa Tuttle. Uma pena, pois essa é uma obra maravilhosa.
Em primeiro lugar, “Santuário dos ventos” não possui uma trama ambiciosa aonde o destino do mundo está em jogo, como é comum em tantas outras histórias, mas isso não tira, nem de longe, a urgência das problemáticas apresentadas na história e vividas pela nossa protagonista, Maris.
Em um rápido resumo, o universo fantástico de “Santuário dos ventos” é composto por uma enorme arquipélago de ilhas, cada uma delas dominada por um senhor da terra (uma espécie de senhor feudal ou rei), o contato entre as ilhas é restrito principalmente por viagens de navio que são demoradas e muito perigosas devido as fortes tempestades. Nesse meio, os voadores, pessoas de famílias antigas possuidores de asas mecânicas, voam de uma ilha a outra, entregando mensagens, geralmente sobre política, de um dos senhores da terra para outro. São mensageiros, sua função social é de extrema importância nesse mundo o que os torna uma classe privilegiada. A história nos apresenta a função social dessa classe em especial, mas também do papel dos senhores da terra, dos curandeiros e dos músicos, nos dando uma bela imagem da divisão social e disputas de poder existentes. Aqui vai um uma informação interessante que eu só descobri por acaso no final do livro, mesmo estando evidente desde o começo. Nesse universo não existe a escrita e, exatamente por isso, os voadores são mestres na arte da memorização, conseguindo decorar fielmente longas mensagens que lhe são ditas e repassando-as para seus destinatarios.
A história gira em torno de Maris, uma moça que não é de família de voadores, mas foi adotada por uma, assim, aprendeu a voar e recebeu as asas mecânicas de seu pai de criação. É uma pessoa de sorte por isso, pois, caso não se nasça em uma família de voadores, não se poder herdar as asas, que são raras e em número limitado.
O livro é dividido em três partes, cada uma delas mostrando um momento da vida de Maris e, em cada um desses momentos, abordando temas e eventos importantes nesse universo aonde nossa protagonista tem papel decisivo.
É uma história linda, com personagens cativantes, e outros nem tanto (estou falando de Val uma-asa, esse garoto é insuportável! Porém bem construído, isso tenho que admitir!). O universo também é amplo, nos é mostrado, além das funções de cada classe social, as lendas que permeiam esse mundo, as diferenças entre regiões e outros pontos. É o tipo de livro que mesmo não explorando a fundo tudo que expõe nos faz crer que tudo ali faz sentido, mesmo que não tenha sido mostrado por muito tempo. Sentimos que existe uma infinidade de histórias maravilhosas as quais não podemos ter acesso, infelizmente!
Recomendo muitíssimo esse livro. Além de todos os pontos que já falei, ele é um livro fechadinho em si mesmo, uma história contada em um único livro. Não me entendam mal, não tenho nada contra séries de livros. Pelo contrário, amo muitas delas. Entretanto, quando começamos a ler uma série nos sentimos na obrigação de ler todos os livros dela para termos uma história completa e, sendo sincero, eu abandonei muitas de minhas series na metade! Não é que elas não permanecessem boas, mas apenas que eu não tinha mais paciência para ler aquela mesma história em… sei lá… 5, 6… 7 livros. Quem conhece a série “Mortal” da Nora Roberts deve saber do que estou falando. É composta por… nem sei quantos livros! Mais de vinte fácil, fácil! Se alguém souber, fala ai nos comentários por favor. Li até o sétimo, estava adorando, mas simplesmente cansei e resolvi partir para outra história.
É isso gente, espero que tenham gostado e, se puderem, comprem! Comprei esse livro por míseros 10 reais, um negócio maravilhoso a qual não me arrependo.

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